Skate – história – origem até anos 80

Origem se deu nos anos 60, na Califórnia. Os surfistas colocaram a rodinha dos seus patins nos seus “shapes” para surfar em terra firme nos dias sem ondas.

No Brasil, chegou na mesma época e da mesma forma, surfistas tinham seu amor dividido entre o surf e a prancha com rodinhas, normalmente praticado em ruas, praças, terrenos e estacionamentos.

As três primeiras décadas dessa história são muito bem contadas por Eduardo de Brito em seu livro “A Onda Dura”.

Nos anos 70,  a modalidade praticada era o freestyle com piruetas.

Em meados dos anos 70 foram surgindo os skateparks pelo mundo afora. O primeiro skatepark construído na América Latina foi no Brasil, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, em 1976, composto por dois bowls.

Nos EUA os skatistas utilizavam piscinas vazias de fundo de quintal para andar ou pistas.

Em São Paulo, os skatistas entraram na era bowlriding com a primeira pista construída no Condomínio  Alphaville, que até hoje oferece pistas de qualidade. Mas no final dos anos 70, os skatistas se reuniam na marquise em frente ao MAM no Parque do Ibirapuera, todos os finais de semana, lugar ideal, com muito concreto e sem carros.

Outras pistas por São Paulo:  Wave Park, Cashbox e Franete. Pelo Brasil afora: a de Campo Grande, Jacarepaguá e Barramares (Rio de Janeiro) e Volta Redonda, no Rio Grande do Sul a Swell em Viamão, Parque da Marinha em Porto Alegre e Bowl do Ramon em Novo Hamburgo, em Santa Catarina a pista do Clube dos 12 em Florianópolis, no Paraná a Pista do Gaúcho em Curitiba e na Paraíba o Banks de João Pessoa.

1977 foi o ano em que a equipe brasileira “DM Skateboards” foi competir pela primeira vez nos EUA/Ocean Beach.

Primeiras competições como no Clube Federal do Rio de Janeiro em 1974, na Quinta da Boa Vista também no RJ em 1975; do primeiro campeonato de Banks em Nova Iguaçu em 1977; no Clube de Regatas Flamengo no Rio em 1978; Campeonato Brasileiro em Florianópolis /Santa Catarina no ano de 1978; do primeiro campeonato de Downhill Speed do país em Belo Horizonte/MG no ano de 1978 e o Circuito Hering, com etapas em Santa Catarina, S. Paulo e Rio de Janeiro, no ano de 1979

Como curiosidade, em 1978 aconteceu um campeonato com público girando em torno de 2500 pessoas, Torneio Luau de Skate, realizado no Círculo Militar de São Paulo. Teve slalom, freeestyle e algumas rampas.

Primeiras publicações nacionais especializadas foram a revista Esqueite em 1977, revista Brasil Skate em 1978 e o Jornal do Skate d(em 1978 e 1979) do paulista Sergio Moniz.

No final da década de 70 o skate perdeu sua força.  Os fabricantes migraram para os patins e bmx. Não havia peças para comercializar, nem investimentos em campeonatos ou skatistas, assim a maioria dos praticantes acabou abandonando seu carrinho.

Na década de 80 foram inauguradas várias pistas. Em 1980: Wave Cat em São Bernardo do Campo/SP. Em 1981: a Pista Velha de São Bernardo do Campo/SP, Bowl do Anchieta em Belo Horizonte/MG, Bowl de Fortaleza/CE e do Bowl no Itaguará Country Club em Guaratinguetá/SP. Em 1982: o Banks da Nova Floresta em Belo Horizonte. Em 1984: o Banks no Itaguará Country Club, o Banks do Ambiental em Curitiba/PR, as pistas do Mirante em Jundiaí /SP e de Búzios/RJ. Em 1985: os Half Pipes do Capanema em Curitiba e Company na Lagoa Rodrigo de Freitas e do Banks do Riviera Del Fiori ambos no Rio de Janeiro. Em 1986: os Half Pipes do Clube Trianon e da Bigolândia em Jacareí /SP, Santa Mônica em Florianópolis, da Praça dos Namorados em Vitória/ES, o Banks do Castelo Branco em Cambé /PR e o QG Skate Park/SP. Em 1987: o Bowl da Polato em Guarulhos /SP, Bowl do Núcleo dos Bandeirantes em Brasília /DF, da pista da HProl /Santos, Country Skate Park em Porto Alegre e Bowl da Howzit/SP. Em 1988: a Straight Up no Guarujá, da Lipton Skate Park em São José dos Campos /SP, pista de Piatã em Salvador /BA, Ultra Skate Park/ SP, do Half Pipe do Vale do Rubi em Londrina /PR, Domínio Skate Park em Atibaia /SP e reforma mais ampliação da Pista de São Bernardo do Campo/SP. Em 1989: a Top Sport, Stones, ZN e Prestige todas em São Paulo/Capital, Pista de Santo André/ SP e Júnior Skate Park em São Caetano do Sul.

Nos anos 80 o skate teve seu auge com inovações e a utilização das pistas em “U” – os “half pipes”.

Na década de 80, um dos revolucionários do Skate Street foi o glorioso Rodney Mullen, considerado por muitos, o melhor skatista o mundo até hoje. Ele foi responsável por 39 manobras, como kickflip, heelflip, hardflip, casper, darkslide, rockslide, 50-50, body varial, nollieflip underflip, primo, reemo, varialflip, inward heelflip, 360 flip, fs flip, bs flip, varial heelflip, fs heelflip, bs heelflip, entre outras.

Nessa mesma época, Tony Hawk inovou o Skate no Half Vertical, sempre procurando ultrapassar limites de criatividades e dificuldade das manobras.

Em 1984 a indústria nacional ressurge, principalmente por iniciativa dos próprios skatistas.

Programas televisivos também falam do skate: 1984 – TV Vibração; 1988 – Vitória na TV Cultura e Grito de Rua da TV Gazeta; 1989 – Conexão Skate.

Publicação das revistas especializadas Overall em 1985; Yeah em 1986; Skatin, SKT News e Vital Skateem 1989; sendo que todas duraram até 1990.

Ídolos internacionais desembarcaram por aqui: Tony Alva, Daryl Delgado e Dave Ducan em 1985; Christian Hosoi em 1986; Mickey Alba, Eddie Reategui e Christian Hosoi em 1987; Tony Hawk, Lance Montain, John Gibson, Dave Duncan, Tony Magnunsson e Ed Elguera, Sergie Ventura e Christian Hosoi em 1988; Mark Gator, Micke Alba, Ken Park e Joe Johnson em 1989.

Em 1986, a equipe brasileira ficou em quinto lugar no Campeonato Mundial no Canadá em 1986 (colocação por equipes).

Curiosidade: em 1988, o então prefeito da cidade de São Paulo, Jânio Quadros, proibiu andar de skate no Parque do Ibirapuera. Os skatistas fizeram uma passeata protestanto e o prefeito proibiu andar de skate em toda cidade de São Paulo.

Em 1989, uma equipe brasileira foi para a Alemanha  para  a disputa do Campeonato Mundial. Lincoln Ueda ficou no quarto lugar na categoria profissional, a melhor classificação de um brasileiro em todos os tempos até então.

Informações obtidas no Livro “A Onda Dura” de Eduardo Brito e no site da CBSk (www.cbsk.com.br)